sábado, 3 de julho de 2010

Filmes vistos em junho

Príncipe da Pérsia – as areias do tempo (Prince of Persia – the sands of time – 2010): Tenta repetir o sucesso de Piratas do Caribe, mas não tem o mesmo charme e carisma. Bela fotografia e efeitos visuais corretos, mas história rasa. Nota: 5

O Golpista do ano (I love you Phillp Morris – 2009): Comédia de humor negro super divertida. Destaque para as performances de Carey e McGregor. Nota: 8

The last station (Idem – 2009): A narrativa apresenta alguns problemas, mas nada que ofusque o poder da magnífica história de Leo Tolstoy e sua esposa Sofia. Destaque para o elenco brilhante. Nota: 8

Onde vivem os monstros (Where the wild things are – 2009): Interessante viagem na mente do garoto protagonista. Direção de arte maravilhosa na concepção artística das criaturas e dos cenários. Nota: 9

Sin City – a cidade do pecado (Sin City – 2005): Clássico das adaptações de HQ. Obrigatório para qualquer cinéfilo. Nota: 10

A Última tentação de Cristo (The Last teptation of Christ – 1988): A releitura e a diferente visão da vida de Jesus tornam o filme único. Dafoe está ótimo. Scorcese é um gênio, claro. Nota: 9

O guia do mochileiro das galáxias (The Hitchhiker's Guide to the Galaxy – 2005): Esse filme tem um espaço no meu coração. Humor ácido e aventura garantida. Sem contar na filosofia e mensagem passadas de forma suave. Que pena que as continuações não foram filmadas. Nota: 10

O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford (Assassination of Jesse James by Coward Robert Ford – 2007): O conflito psicológico é perfeitamente narrado. Fotografia maravilhosa e boas atuações. Nota: 10

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel (The Lord of the rings – The Fellowship of the Ring)

O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel (The Lord of the rings – The Fellowship of the Ring) – EUA – 2001

Direção: Peter Jackson

Roteiro: Peter Jackson, Philippa Boyens e Frances Walsh, baseado no livro de J. R. R. Tolkien

A literatura é uma das maiores fontes das quais os diretores de cinema extraem adaptações. Adaptar livros é tarefa difícil. Pode render embaraços ou obras primas. A segunda opção é o caso do maravilhoso O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel, dirigido pelo talentoso Peter Jackson. Quando Jackson anunciou que filmaria a cultuada trilogia de Tolkien, o mundo todo ficou em expectativa. Uns diziam que a história era impossível de ser filmada adequadamente devido a questões técnicas e de duração, outros diziam que seria um fiasco e alguns confiaram no talento de Jackson, já mostrado em filmes como Almas Gêmeas e Os Espíritos. O resultado foi que o mundo todo ficou maravilhado com a qualidade artística e técnica do longa. Há anos não se via algo tão arrebatador e fascinante no Cinema.

Jackson e suas colaboradoras escreveram um roteiro que se mantém muito fiel ao livro. Alterações são feitas, mas para o bem da obra cinematográfica. O fato é que o espírito e o tom do livro de Tolkien foram mantidos. Imagino que se ele fosse vivo e quisesse ver um filme baseado no seu livro, ele sairia da sala de cinema plenamente satisfeito com o trabalho de Jackson. As adaptações cinematográficas são difíceis, como disse antes, porque o diretor/roteirista ao mesmo tempo não pode querer “filmar o livro” ao pé da letra e também não pode se distanciar muito do material de origem. Ele deve apresentar sua visão da história. E poucas vezes vi tanta paixão e tanto respeito para com um livro e toda a cultura que ele representa em uma obra adaptada.

A direção de arte nada mais é do que magnífica. Afinal de contas, trazer à vida a Terra Média descrita por Tolkien não era tarefa fácil. Mas a equipe se sai muito bem. São inesquecíveis as imagens do Condado, de Valfenda, de Minas Mória e tudo que é visto na tela, incluindo as locações maravilhosas na Nova Zelândia, país de origem de Jackson. Tudo captado pela estupenda fotografia. Outro ponto altíssimo que enriquece o filme é a memorável trilha sonora de Howard Shore, com um tema maravilhoso que se repete ao longo do filme e que gruda em sua mente, e o mais importante, ajuda a criar o clima épico e traz à vida o tom da obra de Tolkien com a orquestra e o coral magníficos de Shore.

Outro aspecto impressionante é o elenco reunido no filme. Ian McKellen cria um Gandalf à altura do descrito no livro: sábio, forte, engraçado e amoroso, entendemos o poder do seu carisma e a importância de seu conselho e de tê-lo por perto. Virgo Mortensen e Sean Bean também se destacam como os Homens guerreiros e honrados, principalmente o primeiro. Elijah Wood é o perfeito Frodo, que não entende muito bem o porquê das coisas que acontecem consigo, mas é corajoso e leal a seus amigos e sua demanda. Christopher Lee é um assustador Saruman e Liv Tyler adorável e forte, como Arwen deve ser. Todo o gigante elenco tem seus momentos de destaque em tela.

Mesmo com todos esses aspectos da produção acima para quais não economizei elogios, eles não seria de grande ajuda se não fosse a direção brilhante de Jackson. Com movimentos de câmera inventivos e virtuosos do início ao fim, ele imprime uma qualidade visual ao filme inigualáveis. Tudo é muito gráfico e as imagens falam muito por si só. Ele consegue intercalar cenas de ação e aventura com outras de humor ou mesmo mais reflexivas e sentimentais. Consegue criar uma tensão quase insuportável quando quer, com na seqüência das Minas Mória ou levar o espectador às lágrimas nos momentos mais tocantes. Confesso: sempre choro quando vejo qualquer um dos três filmes.

Nas mãos de qualquer diretor, o filme poderia ser apenas mais uma aventura ou fantasia, mas Jackson e seu time elevaram o nível do longa à obra prima, com tudo o que eu falei acima somado a diálogos brilhantes como “não podemos escolher o tempo em que vivemos, mas podemos escolher o que fazer com o tempo que nos é dado” e “mesmo a menor pessoa pode mudar o curso da história”. O filme toca e ecoa na mente do espectador depois da sessão.

Já li o livro duas vezes e os filmes não tenho mais a conta de quantas vezes vi. Sei que O Senhor dos Anéis tem um lugar especial no meu coração. Espero escrever sobre os outros dois longas que compõe a trilogia.

Nota: 10

sábado, 26 de junho de 2010

Lost – o fim de um marco na TV

Não foram poucas as lágrimas derramadas por mim durante o último episódio. Afinal, foram seis anos acompanhando a trajetória daqueles que se tornaram meus amigos. Jack, o médico cético que aprendeu a ter fé; Sawyer, o homem traumatizado com sede de vingança que aprendeu a amar; Kate, abusada pelo pai e menosprezada pela mãe, desenvolveu uma auto-defesa contra o amor mas aprendeu a se abrir; Locke, que teve sua fé em algo maior comprovada ao longo da história; Sun e Jin que construíram um relacionamento sólido na ilha a partir de um casamento falido; Sayd, que depois de ser um torturador no passado, se tornou um sujeito humano e capaz de fazer amigos e amar; Desmond (meu preferido), sempre movido pelo amor por sua Penny e a vontade de ajudar os outros. Sem contar na imensa galeria de quadjuvantes que passou pela série, todos com histórias interessantes e arcos dramáticos fortes.

Aliás, fortes dramas sempre foi algo presente em Lost. Os produtores da série não tiveram medo de apostar sempre em mudanças, a cada temporada. No início, eram os maravilhosos flashbacks, que nos apresentavam o passado dos personagens e faziam contraponto com o que estávamos vendo no presente. Depois foram os inesperados e inéditos até então flashfowards, que confundiram a cabaça de todos os espectadores, mostrando o futuro dos nossos heróis fora da ilha. Não satisfeitos, os produtores da série nesta última temporada incluíram a realidade paralela (nem sei com chamar), em que acompanhamos os personagens numa realidade alternativa fora da ilha e dentro ao mesmo tempo, o que é explicado no último capítulo.

Foi com um pouco de tristeza que eu vi o último episódio, com de costume nas séries que eu vejo. É triste pensar que não vou mais ter acesso às aventuras daquele maravilhoso grupo, e principalmente não vou mais ter novos episódios dessa série que pouco tempo depois de seu fim, já se tornou um ícone pop.

Fico feliz de ter acompanhado essa obra nada menos do que excelente. Pontos para a TV Norte Americana.

Nota: 4 , 8 , 15 , 16 , 23 , 42

domingo, 20 de junho de 2010

Herói (Ying Xiong)

Herói (Ying Xiong) – China – 2002

Direção: Zhang Yimou

Roteiro: Li Feng, Zhang Yimou e Wang Bin

Na China medieval, Qin (Daoming Chen), o soberano da província do Norte, tem o sonho de unificar toda a China em um grande império. Com quase todas as províncias conquistadas através de muitas batalhas e derramamento de sangue, Qin fez muitos inimigos, dos quais três são os mais preocupantes: o casal Espada quebrada (Tony Leung) e Neve voadora (Maggie Cheung) que já invadiram o palácio uma vez e não concretizaram seu plano e Céu (Donnie Yen). Certo dia surge um Guerreiro sem nome (Jet Li) em seu palácio carregando as espadas dos três assassinos alegando tê-los matado, o que dá direito a ficar a dez passos do rei. Acompanhamos a trajetória do Guerreiro sem nome através de flashbacks narrados por ele mesmo ao soberano Qin, e depois também pelo próprio soberano, quando este descobre que os propósitos do Guerreiro sem nome não eram o que aparentavam.

O chinês Zhang Yimou conta a história de seu país com seu roteiro próprio desenvolvido em cerca de cinco anos. E tanto trabalho não foi em vão. A história é arrebatadora do começo ao fim. Poderia ser mais um filme de artes marciais genérico, mas ele mostra estilo ao lidar com o gênero wuxia pian. As lutas são elegantes e envolventes. Em cada uma delas, os envolvidos tem motivações pessoais ou ideais diferentes, e isso fica muito claro para o espectador. Quando vemos dois personagens lutando, sabemos o porquê da luta e o que levou cada um a estar ali. Aliás, os valores de coragem, honra, lealdade, justiça e amor estão presentes em todos os momentos. Nunca, nenhum dos personagens por algum momento deixa de seguí-los, e quando isso se apresenta na narrativa, é prontamente desmascarado.

E a parte técnica da direção de Yimou é nada menos do que brilhante. Ele abusa de elegantes câmeras altas total durante as lutas, como no duelo na floresta dourada e no palácio do soberano; e também de câmera baixa total na inesquecível cena do lago, em que os dois guerreiros exprimem sua dor através dos golpes em homenagem à guerreira morta. Usa também a câmera subjetiva que acompanha a chuva de flechas em direção à escola de caligrafia entrando pelo telhado com a flecha e acertando o seu alvo. Impressionante. Outro momento lindo é o traveling de 360 graus que Yimou faz ao redor de dois guerreiros duelando. Esse tipo de cuidado com a imagem, criatividade e genialidade seguem durante todo o filme. Cada cena tem sua particularidade. E cada vez que vejo o filme (já foram por volta de cinco), vejo algo diferente.

O que nos faz envolver com a história é a profundidade que o roteiro dá às motivações dos guerreiros, tornando fácil para o espectador se identificar com a história, mesmo se passando a milênios atrás e numa terra tão distante. Os quatro assassinos querem matar o soberano Qin por vingança. Lua segue se mestre Espada quebrada por admiração e amor. E o soberano Qin deseja unificar seu país e trazer paz para o povo, mesmo que seja a custo de uma guerra.

O aspecto mais poético e filosófico do longa reside na associação da esgrima com a caligrafia. A habilidade com a espada está diretamente ligada à habilidade com a escrita. E se o Guerreiro sem nome erra por achar que a caligrafia de Espada quebrada iria revelar o segredo de sua habilidade para a luta, ele entende que ela revela o segredo das motivações do seu coração. E quando por fim ele escreve “nossa terra” para Sem nome, torna-se completamente plausível a sua hesitação diante do soberano três anos atrás. Falas como “a dor de um homem é insignificante diante do sofrimento de todos” faz com que o filme deixe de ser um filme de artes marciais comum para se tornar uma obra prima.

As atuações são impecáveis, com destaque para Daoming Chen como o soberano Qin, sábio, impassivo e forte. O romance entre Espada quebrada e Neve voadora é tocante por causa do carisma e química entre Leung e Cheung. Jet Li encarna o Guerreiro sem nome com o talento habitual para filmes do gênero. É claro que seu talento para a luta se sobressai diante das partes mais dramáticas.

A trilha sonora é inesquecível. Abusa dos violinos solo, viola e violoncelo em uma melodia marcante que evoca todo o clima de heroísmo e abdicação dos personagens. E por vezes, escutamos uma voz feminina solo terna ou um coral masculino em momentos tensos. A música é um show aparte. Destaque para a fotografia maravilhosa que abusa das cores primárias, o que faz da imagem algo marcante, e ilumina bem os cenários e locações, realçando a beleza dos figurinos, a direção de arte na composição dos cenários (a escola de caligrafia, a casa de banhos, o palácio real, etc) e as locações esplêndidas no deserto, na floresta dourada, no lago, entre outras.

Herói é um filme inesquecível que está na minha lista de melhores de todos os tempos. Esse texto nada mais é do que minha homenagem a esta obra de arte, que além de ser visualmente bela, é impactante emocionalmente e traz conceitos de honra, paz (acredite) e de valor a “nossa terra” que estão em falta nos dias de hoje.

Nota: 10

Toy Story 3 (Idem)

Toy Story 3 (Idem) – EUA – 2010

Direção: Lee Unkrich

Roteiro: Michael Arndt

Quando escrevi sobre Up – Altas aventuras, não poupei elogios para a Pixar, empresa fundada por John Lasseter. E agora, depois de sair da sala de cinema na qual assisti a mais nova empreitada de Lasseter e companhia, não consigo pensar em outro elogio para eles além de geniais. Já estamos na metade do ano e até agora tinha visto poucas produções que haviam me emocionado tanto como esse mais novo Toy Story 3.

Onze anos se passaram desde a segunda parte, e com esses anos, Andy, o dono dos brinquedos se tornou em rapaz e está prestes a ir para a Universidade. Preocupados com seu destino e sentindo saudades de brincar com Andy, os brinquedos estão diante de um destino cruel: ir para o sótão ou serem doados para a creche. Nenhum dos destinos os agrada, visto que em ambos ficarão longe de seu amado dono. Vendo seus amigos brinquedos em apuros na creche, Woody, que havia se separado, se sente na obrigação de resgatá-los e levá-los para perto de Andy novamente.

O que poderia ser uma continuação boba que simplesmente reviveria os melhores momentos dos dois primeiros filmes é na verdade uma seqüência lógica dos acontecimentos, que aborda um drama que qualquer brinquedo (se tivesse vida, é claro) viveria: a separação do seu dono por este ter crescido e ter agora interesse em outras coisas. Não há como não se lembrar de nossa infância e dos brinquedos que deixamos para trás, o que simboliza também a perda da inocência e do mundo de fantasia em que vivem as crianças. Algo retratado de forma brilhante na divertidíssima seqüência inicial do filme. E como é tocante ver a felicidade dos brinquedos que consideram um pequeno momento com seu dono único.

E se o roteiro explora ao máximo o drama e a profundidade que a história pode render, é claro que não faltam os momentos engraçados, as seqüências de aventura de tirar o fôlego, os momentos tensos e o momentos ternos e sensíveis. Fiquei muito emocionado em certa parte em que todos os brinquedos seguram as mãos uns dos outros diante do inevitável. Inclusive vi pais de crianças chorando. Se todos os filmes em live action de Hollywood tivessem essa qualidade, seria excelente.

Outro ponto que se destaca é o vilão, um grande urso roxo que lidera os brinquedos na creche. Enquanto na maioria das produções, vilões são maus por natureza e atrapalham os mocinhos apenas por prazer, aqui, através de um emocionante flashback, conhecemos a triste história do urso e seus dois amigos e passamos a entender melhor o porquê de suas atitudes. Ele se torna um personagem tridimensional e “humanizado” pelo roteiro, pode-se dizer. E nisto, estamos falando num filme supostamente para crianças.

Com relação ao visual do longa, não há muito que falar sendo uma produção da Pixar. A direção de arte trata com muito cuidado todos os cenários, a aparência dos brinquedos e dos seres humanos, transmitindo a mensagem visual de forma clara como deve ser. A direção ágil torna as seqüencias de ação sempre empolgantes, e até mesmo aquela batida cena de sucessiva troca de roupas é hilária, sem ser clichê. Também não faltam as referências clássicas da série a outros filmes, como Missão impossível e O senhor dos anéis, que são os que me lembro.

Com personagens novos muito interessantes, Toy Story 3 ficará pra sempre na memória dos espectadores. Não é só mais um filme de animação. É, com certeza, um dos melhores filmes de 2010.

Nota: 10