segunda-feira, 6 de junho de 2011

Voltando à atividade

Depois de um longo hiato sem escrever aqui, volto hoje à atividade escrevendo sobre X-Man: Primeira Classe, que gostei muito. Assisti ao filme no fim de semana na companhia de ótimos amigos (Julien, Phillipe e Bruno). Estou saindo de um período meio conturbado na vida profissional e pessoal também, mas percebi como que escrever aqui no blog me faz falta. Estou com outro projeto de voltar a me dedicar mais à leitura também. Não consegui terminar de ler Guerra e Paz que está na sessão “estou lendo”. Vou adiar um pouco mais. Essa semana eu comprei “Bonequinha de Luxo” de Truman Capote e “Na praia” de Ian McEwan. Estou com grande expectativa de ler os dois por dois motivos. Já vi o filme Bonequinha de Luxo e amei. Já li Reparação de Ian McEwan e fiquei maravilhado, sem falar no filme excelente de Joe Wright baseado nele. Vou começar por Bonequinha de Luxo, e depois vocês vão saber minha opinião sobre. Algo me diz que ela será positiva. Estou de volta à ativa. É só me chamar para assistir a um bom filme que eu topo.

Abraços

X-Man: Primeira Classe (X-Man: First Class)

X-Man: Primeira Classe (X-Man: First Class) – EUA – 2011

Direção: Matthew Vaughn

Roteiro: Bryan Singer, Josh Schwartz, Jane Goldman e Jamie Moss

Os filmes de super-heróis são geralmente subestimados pelo público mais conservador, mas na última década as revistas em quadrinhos se mostraram uma fonte de inspiração que gerou ótimos títulos, que além de serem bom entretenimento, tem uma ambição narrativa acima da média, discutindo idéias com profundidade, com personagens complexos e histórias sempre interessantes. Bons exemplos são a trilogia X-man dirigida por Brian Singer, Os dois primeiros Homen Aranha e os dois maravilhosos Batman Begins e Batman – O cavaleiro das trevas, entre outros.

Neste ótimo X-Man: Primeira Classe Matthew Vaughn mantém o mesmo nível de qualidade da trilogia original criada por Singer (que colabora com o roteiro deste) e realiza a complicada tarefa de contar uma história em que todos já sabemos o final e mesmo assim esta não deixa de ser interessante, impressionar e emocionar em nenhum momento.

Logo nos primeiros momentos somos apresentados ao garoto Erik (que viria a ser o Magneto que todos conhecemos) durante a Segunda Guerra Mundial, onde este tem a mãe assassinada diante de seus olhos e num acesso de raiva demonstra seu poder, o que desperta o interesse do general Shaw (Kevin Bacon), seu algoz. Já na década de 60 conhecemos o jovem Charles Xavier (James McAvoy) que inicia uma amizade com Erik. Os dois mantêm um respeito mútuo e uma admiração pela inteligência e pelos ideais um do outro. Tempos depois Charles decide usar seus poderes psíquicos para encontrar e reunir jovens com poderes em sua escola para treiná-los e prepará-los com fins pacíficos, assumindo a direção junto com seu amigo Erik.

O filme é muito bem sucedido em mostrar o sofrimento dos mutantes pelo fato de possuírem algo diferente da maioria das pessoas, e como eles são estigmatizados pela sociedade, que não sabe lidar com eles, e por eles mesmos, por desejarem simplesmente serem normais. E isso é brilhantemente demonstrado pela trajetória da Raven/Mistica (Jennifer Lawrence) e Hank/Fera (Nicholas Hoult) através do ótimo roteiro e das atuações eficientes.

Outro ponto a favor do longa é a humanização do personagem Erik/Magneto, que na trilogia já era um homem complexo e que carregava os traumas do passado, mas aqui podemos acompanhar de fato sua história, e o que o levou a ser um homem guiado pelo ódio.

Nunca li os quadrinhos da Marvel, mas segundo as pessoas que lêem, os criadores tomaram várias liberdades artísticas e modificaram elementos da história. Não sei quais são esse elementos e se nos quadrinhos eles funcionam melhor do jeito que são, mas o filme é muito coeso em si, e as mudanças feitas colaboraram para um melhor resultado final da obra enquanto filme. Fãs mais rigorosos podem não gostar do filme por isso, mas eles têm que entender que concessões têm que ser feitas para se adaptar uma obra para o cinema. O que tem que ser levado em conta é o respeito para com a obra original em seu tom e estilo.

Os efeitos visuais são razoáveis, mas nada que atrapalhe o andamento da história. São convincentes como devem ser. A direção de Vaughn é eficiente tanto nas cenas de ação quanto nos momentos mais introspectivos, como por exemplo, o momento em que Charles tem acesso a uma memória de Erik e se emociona ao agradecer ao amigo por ter compartilhado algo tão importante para o outro.

X-Man: Primeira Classe é mais um exemplar para se juntar a lista no primeiro parágrafo deste texto.

Nota: 10

domingo, 27 de março de 2011

Período de poucos posts

Quem acompanha esse blog sabe que eu gosto de ver muitos filmes e principalmente escrever sobre eles aqui. Mas nos últimos tempos eu tenho achado pouco tempo para ver os meus amados longa metragens (tem mais de três semanas que eu não vou no cinema) e ainda menos tempo para escrever sobre eles. Pode-se notar também minha falta de tempo pelo longo período que Azincourt ficou na sessão “estou lendo”. Nem sei quantos meses, mas já terminei de ler, e hoje publiquei uma curta resenha sobre o livro de Cornwell que gostei bastante. O trabalho está bem puxado (e tem como a engenharia ser diferente?) e eu tenho me dedicado a outras coisas também, mas vale ressaltar que o pesar de não estar assistindo filmes na média de freqüência que eu gostaria não para de martelar na minha cabeça. Uma falha minha que eu tento corrigir é a falta de disciplina com meu tempo. Tenho consciência disso e tento mudar todos os dias. Estou num período de mudanças e transição na minha vida, mas vou me esforçar para continuar postando pelo menos umas duas vezes por mês. Sei que num futuro próximo espero ter mais tempo para me dedicar a esta arte que eu tanto amo, talvez até de outras formas além de ver e escrever sobre filmes.

Abraços

Azincourt (Idem)

Azincourt (Idem)

Autor: Bernard Cornwell

Editora Record, 2008, 448 páginas

Nick Hook é um jovem e talentoso arqueiro inglês que acaba, depois de sobreviver a um massacre aos hereges de uma pequena comunidade, por entrar no exército inglês e lutar contra a França na chamada Guerra dos Cem Anos e no ápice do período, que foi a Batalha de Azincourt.

Com uma narrativa muito bem desenvolvida, Cornwell prende a atenção do leitores desde as primeiras páginas, fazendo com que nos identifiquemos com Hook e suas desventuras na vida, mas acima de tudo, sua coragem e retidão de caráter. Isso faz com que até os atos de extrema violência cometidos pelo rapaz nas batalhas seja relevado por nós, visto que entendemos que ele está lutando pela sua sobrevivência e em honra ao seu amado rei Henrique V. As batalhas são narradas com maestria por Cornwell (seu forte) e a história não deixa de ser interessante em nenhum momento. Um ponto que deixa a desejar a meu ver é que sobra pouco tempo para explorar os sentimentos, motivações e pensamentos dos personagens. Por exemplo, o relacionamento de Nick Hook e Melisande acontece muito rápido, sem muitos diálogos e descrições de pensamentos e sentimentos dos dois. Parece que Cornwell queria partir logo pra ação e não perder muito tempo com isso, mas seu erro foi esse, já que o leitor só se importa com personagens humanos e com jornadas emocionais realistas e bem desenvolvidas.

A Batalha clímax de Azincourt é contada com maestria. Não consegui parar de pensar no potencial cinematográfico do livro, e me peguei até pensando em qual diretor faria um bom trabalho adaptando a obra. Coisa de cinéfilo... Mas por fim, recomendo Azincourt como fonte de informação histórica e por ter personagens e uma história interessante.

Nota: 7

PS.: Valeu pelo presente, Isabel.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Cisne Negro (Black Swan)

Cisne Negro (Black Swan) – EUA - 2010

Direção: Darren Aronofsky

Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz e John McLaughlin

Com um currículo impecável e de fazer inveja em qualquer diretor, Darren Aronofsky está acostumado a tratar de tramas complexas e com personagens que passam por perturbações ou grandes mudanças emocionais. Aqui neste maravilho Cisne Negro ele nos entrega mais uma obra digna de ser vista, revista e que deve ser relembrada por muito tempo.

Nina (Natalie Portman) é uma bailarina que dedica todos os minutos do seu dia a sua arte. Em parte por amor, e em parte por pressão da mãe controladora. Depois de ter um sonho sobre o balé O lago dos Cisnes que a deixa intrigada, descobre em sua Academia que uma montagem moderna no espetáculo será produzida pela companhia e que o diretor (Vincente Cassel) está à procura de uma protagonista, só que esta irá interpretar tanto a Cisne branca quanto a negra, completamente opostas entre si.

Infantilizada pela mãe controladora e repressora, Nina não tem dificuldade em encarnar a Cisne branca, sensível, frágil e meiga; mas quando se trata de Cisne negra, Nina não consegue se entregar completamente à personagem, sensual, impulsiva e até mesmo maléfica. E com a ajuda do brilhante diretor do balé e sua nova colega de cena (a ótima Mila Kunis) que se apresenta exatamente este seu oposto, a moça vai aos poucos se entregando ao seu lado mais sombrio tanto no palco quanto na realidade.

Usando um jogo de cena que desde o momento contrapõe os lados “branco e negro” da protagonista, Aronofsky não desperdiçar nenhum momento em tela sem que não use a linguagem cinematográfica para transmitir o que quer. Parada no metro, Nina, com a pele do rosto branca, vê seu reflexo no vidro completamente negro. E o jogo com os espelhos que Aronofsky usa ao longo do filme são simplesmente geniais.

A trilha sonora mescla temas do Lago dos Cisnes de Tchaikovsky com uma trilha original muito marcante e expressiva, que se encaixa perfeitamente na história. O design de som é perfeito, captando os ruídos provenientes do assoalho enquanto os dançarinos fazem seus movimentos, mostrando a dificuldade dos movimentos que eles executam tendo que passar o máximo de leveza possível; ou quando ouvimos som de asas baterem ao vermos as bailarinas girando.

Fotografado com perfeição um uma câmera de mão sempre em movimento, o longa passa uma incrível noção de realismo, mesmo nas cenas contendo as “ilusões” da protagonista. E qualquer performance que fosse menos do que excelente estragaria o resultado final, mas Natalie Portman se entrega totalmente à personagem, com uma voz frágil e insegura quando é dominada pela sua mãe, ou quando decide reagir a todos, assumindo seu lado mais sombrio, abraçando sua sensualidade e domínio de caráter. E na apresentação do final isso fica claro, quando ela encarna o cisne negro em sua totalidade, e os seus suspiros durante a dança que antes eram de esforço, se tornam suspiros sensuais.

Por fim, ainda dá tempo de correr e assistir a esse jovem clássico nas salas de Cinema.

Nota: 10