terça-feira, 15 de novembro de 2011

Meninos não choram (Boys don’t cry)

Meninos não choram (Boys don’t cry) – EUA – 1999

Direção: Kimberly Peirce

Roteiro: Kimberly Peirce e Andy Bienen, baseado na história real de Brandon Teena

“Todo bom filme é um retrato de uma época e uma sociedade.” Foi essa a frase (a qual não me lembro o autor) que me veio à mente depois de assistir a este incrível Meninos não choram de Kimberly Peirce. O longa conta a história de Teena Brandon (Hilary Swank), uma adolescente com crise de identidade sexual. Ela quer na verdade ser um homem, e passa a se vestir e agir como um. É quando então conhece a garota Lana (Chloë Sevigny) de outra cidade, por quem se apaixona e passa a ter um relacionamento, tanto com ela como com sua família e mais alguns amigos, ex-presidiários. Sua vida entra em crise depois que é presa por subverter a lei, e é então que tem a sua identidade sexual posta a prova pelos seu novo círculo de convivência.

Kimberly Peirce trata do complicado assunto com muita sensibilidade e humanidade. Brandon em nenhum momento é tratato pelo roteiro e pela direção como uma aberração da natureza ou algo que precisasse ser mudado. Ele/ela era um adolescente comum, que tem todas as crises que qualquer adolescente tem o direito de ter pelo fato de estar deixando a infância e se tornando um adulto. A única coisa que ela queria era achar seu lugar no mundo. O fator complicador é que Teena era uma garota que gostava de garotas, e achava que precisava ser um homem para poder namorar outras meninas. Se ela tivesse crescido em uma grande cidade e tivesse pais compreensivos e que a apoiasse, sua jornada seria bastante diferente, mas ela cresceu no interior do Nebraska, lugar onde certo personagem diz num momento do filme “as pessoas matam os viados.” A sua confusão de identidade pode ser explicada em grande parte por isso.

Vivido por Hilary Swank com impressionante intensidade e veracidade, Brandon/Teena logo conquista o exectador com seu carisma, amor pela vida e a forma como trata suas namoradas. E é até engraçada a sua reação ao saber que irá ter um olho roxo no dia seguinte depois de uma briga de bar. Ela se sente como “um dos caras”; outro momento único é quando um policial a faz admitir que é uma mulher a obrigado dizer que tem uma vagina. A palavra sai da boca de Brandon como seu fosse algo extremamente vergohoso e quase como uma tortura. E nesse ponto a performance de Swank cai como um luva: intensa e sensível nos momentos certos. Outra atriz que merece destaque é Chloë Sevigny, que vive Lana como uma criatura frágil e vitima do seu meio: uma mãe desequilibrada e dois marginais obsecados por ela. Quando conhece Brandon, vê nele sua chance de uma vida diferente. E um momento chave do filme é quando, no primeiro encontro íntimo entre eles, Lana percebe que Brandon tem algo bastante diferente, mas parece não se importar. A direção de Peirce e a atuação de Sevigny são extremamente sutis e brilhantes.

O relacionamento das duas não é construído nas bases sociais convencionais. Primeiro, Lana acha que Brandon é um rapaz e se apaixona por ele. Depois de descobrir a verdade, cotinua a gostar dele/dela da mesma forma, ou até mais, e passa a achar o namorado de certa forma especial. Quando Brandon em uma de suas muitas mentiras desesperadas (pode se imaginar a necessidade delas para viver como ele) diz que é hermafrodita, ela diz: “não importa se você é metade macaco...”.

Todo o elenco de apoio se sai de forma espetaclar como Peter Sarsgaard e Alicia Goransn, mas créditos merecem ser dados ao roteiro muito sólido e honesto (a real jornada de Brandon Teena por si só já é tocante) e a direção talentosa de Peirce. Ela conduz a história com propriedade e pulso firme, nunca deixando o expectador perder a conexão emiocional com os personagens que vemos na tela. E o seu estilo visual se faz justificado, operando como elemento para intensificar o impacto da narrativa que assistimos. Por exemplo, no momento em que a identidade de Brandon é revelada para a família numa “conversa” muito tensa, Peirce manten sua câmera em planos muito fechados nos rostos dos atores, o que aumenta a angústia e opressão que aquela situação representava para ele.

Tratando o tema homossexualismo de forma livre de qualquer preconceito e julgamento como no ótimo O segredo de Brokeback Mountain, Meninos não choram tem sua importância, como disse, no fato de ser um retrato de uma época de uma sociedade. E também no fato de contar uma história real, emocionante e acima de tudo, um história sobre seres humanos, que merecem serem tratados como tal, independente de orientação sexual, no caso, cor ou qualquer outra diversidade que possa haver. Diversidade esta que faz cada um de nós únicos.

Nota: 9

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Game of Thrones (HBO) – 1ª temporada

Criadores: David Benioff e D. B. Weiss

Roteiro baseado no primeiro livro homônimo da série A song of Ice and Fire de George R. R. Martin

Como disseram os produtores dessa ótima série da sempre competente HBO, Game of thrones é Os Sopranos na Terra Média. A história reúne a complexidade de relacionamentos e luta por poder da famosa serie sobre a máfia Os Sopranos ao clima de batalha, fantasia de um período medival que nunca existiu de O Senhor dos Anéis. A série lembrou-me em parte também The Tudors, que narra a período de reinado do Rei Henrique VIII na Inglaterra.

Fazer uma sinopse da série é tarefa complicada, visto que são inúmeros os personagens (muitos mesmo), sete reinos distintos, muitas dinastias de reis e rainhas tratadas pela história, diversos senhores e “mãos” de reis, como são chamados os guerreiros braço direito do rei, lutas pelo poder e intrigas pessoais. A combinação perfeita para que gosta desse tipo de produção.

O mais interessante é que o roteiro é sólido e os personagens são complexos e bem definidos. A história, apesar de ser complicada e um pouco difícil de acompanhar (são tantos nomes!), flui de forma natural para o expectador, e sempre surpreendente a cada episódio, nunca soando repetitiva ou previsível.

O fato que mais me chamou a atenção foi que eu não me senti manipulado assistindo à série, como acontece com muitas produções televisivas. Os produtores têm que manter seus expectadores presos, porque a série vive de audiência, é claro, então costumam deixar o clímax não resolvido para o final do episódio para termos que ver o capítulo seguinte e assim por diante. Isso sempre soa falso e desonesto pra mim. Em Game of Thrones o roteiro é claro o coeso, e não esconde nenhum fato imporante do expectador. Está tudo ali. Basta ver, analisar e sentir. E o interessante é que essa falta da manipulação não faz com que o expectador perca o interesse. Muito pelo contrário. No meu caso o interesse só aumentou, porque eu entendendi logo de início que assistia a uma obra de arte de qualidade, não um produto televisivo que tem o único objetivo de conseguir audiência.

Os valores e assuntos abordados pela série como honra, amor à família, desejo pelo poder e encontrar um propósito na existência como muitos outros são tratados com muito talento pelo roteiro. Cada pesonagem se encaixa na hstória com sua função, como se os sete reinos fossem um tabuleiro de xadez e os personagens as peças. Uns guiam os participantes do jogo e outros são guiados.

A direção de arte, figurinos e toda a parte técnica da série são impecáveis. Afinal, criar um mundo novo e fazer com que ele seja crível não é tarefa fácil, mas o visual da série sempre impressiona.

O roteiro mostra como que a história é escrita através dos relacionamentos pessoais, personalidades e interesses dos poderosos. Quando um rei toma certa decisão, não é no bem do povo que ele pensa primeiro, mas em toda a sua bagagem emocional e psicológica que vem de sua criação, muitas vezes defeituosa como mostra a série, e em todos que estão ao seu redor, as pessoas que ama ou odeia e que influenciam a sua vida. Ou seja, os reis são humanos como qualquer outro, mas com poder para fazer viver ou matar centenas de milhares.

Game of thrones é uma surpresa agradável do ano de 2011 na televisão.

P.S.: A abertura é genial e exprime exatamente o clima e o tom da história. Não me canso de ver.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Billy Elliot (Idem)

Billy Elliot (Idem) – França/Reino Unido – 2000

Direção: Stephen Daldry

Roteiro: Lee Hall

Uma ode à Arte. É assim que eu defino esse maravilhoso Billy Elliot. O longa conta a historia do garotinho Billy (Jamie Bell), que mora no interior do Reino Unido com seu pai, seu irmão e sua avó bastante idosa e doente. Seu pai e seu irmão são mineiros e passam por uma crise pelo fato de o sindicato estar em greve e eles não terem quase nenhum dinheiro para manter a casa. O pai de Billy, Jackie (Gary Lewis) se esforça para dar cinqüenta centavos para seu filho todos os dias para ele ter a chance de praticar boxe. O que ele não sabe é que seu filho começou a se interessar por balé, quando as meninas tiveram que dividir o mesmo espaço que os garotos, e que ele de fato tem talento. Quando Jackie descobre, fica revoltado e o proíbe de dançar. Billy, apaixonado pela dança, pratica escondido na casa da professora Mrs. Wilkinson (Julie Walters) que tenta arranjar uma audição para Billy em uma grande escola de bale de Londres.

Já nos momentos iniciais, Daldry mostra a paixão de Billy pela dança, com o garoto pulando em sua casa ao som de uma música que ele gosta. Billy não tinha técnica nenhuma, mas o amor por expressar sentimentos com seu corpo estava lá. Como um diamante não lapidado. Quando ele tem a oportunidade de participar da aula da Mrs. Wilkinsonm fica claro que ele mesmo ainda tinha algum preconceito pelo fato de ele ser um menino e estar fazendo balé entra as meninas, mas fica ainda mais claro que ele achou incrível estar dançando e fazendo aquilo em uma aula, como ele fazia nas suas intermináveis sessões de boxe.

O boxe e o balé servem de contraponto para a relação que guia o filme, que é de Billy e seu pai. Sem quase nenhuma instrução e conhecimento de arte, e muito menos dança, Jackie fica revoltado quando descobre que seu filho vem matando as aulas de boxe para praticar balé, e sua primeira reação é perguntar se ele é gay. Depois é proibi-lo de continuar freqüentando as aulas. O normal era que o achássemos Jackie um monstro por proibir seu filho de fazer o que amava, e é exatamente ódio que Billy sente dele naquele momento, mas por conhecer o personagem e saber de suas limitações, sabemos que ele faz aquilo por amar seu filho e julgar estar fazendo o melhor pra ele.

Outro relacionamento que também é vital para o filme é o de Billy com Mrs. Wilkinson, sua professora de balé. Ela vê no garoto um talento e decide investir nele. A performance de Julie Walters é extremamente contida e sem exageros de expressão, mas nem por isso menos expressiva e honesta. Quando ela olha Billy e vê que ele está desenvolvendo sua arte, dá pra ver sua satisfação somente pelo brilho se seus olhos. E pode ser loucura minha ir tão longe, mas ainda consegui ver um certo tom de frustração em seus atos, uma amargura por ela não ter sido aquilo que poderia ser um dia. Mas isso não é abordado pelo filme.

Isso nos leva a performance de Jamie Bell, que mesmo tão jovem, vive Billy com tanta intensidade e talento, que merecia uma indicação ao Oscar, ao meu ver; além da mais do que justa indicação de Julie Walters como quadjuvante. No momento em que a banca examinadora pergunta a Billy o que ele sente quando dança, a resposta que ele dá é um dos momentos mais emocionantes do filme, no qual eu não contive as lágrimas.

A subtrama envolvendo a greve dos mineiros é de extrema importância porque serve para mostrar o amadurecimento de Jackie em relação a Billy e sua arte. Quando ele toma certa decisão durante o filme, por um lado ele é a decepção para seu filho mais velho que é mineiro, mas por outro, ele entendeu que tinha que dar a Billy uma chance de ser algo diferente dele e de seu irmão.

Billy Elliot tinha uma premissa que poderia levar o longa a ser uma sucessão de clichês, como Burlesque. “Garota sai da cidade do interior para tentar a fama na cidade grande e enfrenta dificuldades”. Aqui seria “garoto pobre sonha em ser bailarino, mas é reprimido pelo pai machista”. Mas felizmente não é. Daldry vai fundo na mente de seus personagens e conta uma história importante. Afinal de contas, qual a importância da arte? Porque não seguir uma carreira mais “útil” e menos lúdica? Porque um artista gasta tanto de seu tempo e seu esforço para fazer algo que tenha alguma importânica? As respostas são apresentadas na conclusão do filme de forma genial. Jackie e seu filho mais velho se juntam a um velho amigo de Billy e seu namorado para presenciar a arte em sua melhor forma.

No fim do filme, o meu olhar era exatamente igual ao do pai de Billy ao assistir ao filho dançar.

Nota: 10

Planeta dos Macacos: a origem (Rise of the Planet of the Apes)

Planeta dos Macacos: a origem (Rise of the Planet of the Apes) – EUA – 2011

Direção: Rupert Wyatt

Roteiro: Rick Jaffa e Amanda Silver

Os reboots estão na moda em Hollywood. Eles de certa forma me deixam apreensivos. Porque refilmar ou dar uma nova roupagem a clássicos que foram sucesso de crítica e/ou bilheteria é muito perigoso. As suas fontes inspiradoras geralmente são de boa qualidade, e fazer algo do mesmo nível ou melhor é tarefa muito complicada. E fico muito triste quando uma refilmagem ou reboot “estraga” o original e a idéia que temos dele. Imgine algum diretor fazendo um remake de E o vento levou ou da trilogia O Senhor dos anéis daqui a alguns anos. As comparações são inevitáveis e não consigo para de pensar que a idéia de refilmar algo bom é desnecessária.

A trama tenta explicar o início dos fatos que levaram ao longa de 1968 com Charlton Heston. Will Rodman (James Franco) é um cientista que trabalha tentando desenvolver a cura para o Alzheimer fazendo testes em chimpanzés. Depois de um acidente com uma chuimpanzé numa apresentação, todos os símios do laboratório são sacrificados, mas Will decide levar um bebê chimpanzé pra casa e criá-lo como um filho. O bebê chamado César (Andy Serkis) começa a apresentar inteligência fora do comum. A relação dos dois fica abalada depois que Will tem que mandar César para um abrigo com outros símios, onde ele começa a liderar uma revolução e planejar uma fuga coletiva.

O filme acerta por se focar na jornada emocional de César, acreditem. Diferente do longa de 1968, que se concentrava no personagem de Heston e suas descobertas num planeta dominado pelos símios. César passa pelo dilema que qualquer criança adotada passa. Ele se sente diferente de seu “pai” e se pergunta quais são as suas origens. Isso gera a revolta que qualquer pessoa teria ao ter suas origens escondidas durante tanto tempo e gera nele um extinto de busca e de auto-descobrimento. Se o lar dele não era em casa com Will, o que então ele deveria fazer de sua vida?

Mesmo tendo uma relação complicada com seu “pai” Will, Cesar sempre demonstra carinho e respeito por este. Os momentos de intimidade de “pai e filho” entre os dois são os momentos mais ternos do filme. E a conexão emocional que os dois apresentam faz todo o sentido, afinal Will criou César com todo amor e o ensinou tudo que ele sabe.

Quando Cesar começa a organizar uma revolução no abrigo, entendemos suas razões e motivações. Ele era quase um ser humano com sentimentos, e, mesmo se fosse um animal, tem o estinto que qualquer ser vivo tem: querer viver em liberdade no lugar que você de fato pertence, saber quem você é, de onde veio e ter um propósito na vida.

Nos filmes anteriores, os símios eram representados por atores com roupas e maquiagem. Aqui eles são criados com a moderna técnica de motion capture desenvolvida por Peter Jackson para criar o Gollum de O Senhor dos Anéis e aprimorada por James Cameron em Avatar. Os símios têm uma aparência extremamente realista na maior parte do tempo, e César é muito expressivo. Sem dizer uma só palavra (a maior parte do longa), sabemos tudo que ele está pensando e sentindo. E quando ele fala sua primeira palavra no filme, é um momento de tanto choque, que mesmo ele parecendo não precisar falar, é o seu grito de liberdade. César é o protagonista inegável do filme, mas James Franco, talentoso como sempre, se encaixa bem e convence como o cientista passional que tem motivações pessoais em seu trabalho.

Planeta dos Macacos: a origem é uma supresa boa de 2011. E o curioso é que o protagonista nem é um ser humano.

Nota: 8

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Lanterna Verde (Green Lantern)

Lanterna Verde (Green Lantern) – EUA – 2011

Direção: Martin Campbell

Roteiro: Greg Berlanti, Michael Green, Marc Guggenheim e Michael Goldenberg, baseado nos quadrinhos da DC Comic

Creio que nunca antes em um único ano foram lançados tantos filmes de super heróis. Para os fãs do gênero isso é ótimo, mas o risco de os diretores caírem na mesmice e no lugar comum é grande. É o que em parte acontece com essa nova produção da DC Comics Lanterna Verde.

Confesso que não tinha grandes expectativas com o filme nem sei por quê. Quando vi o trailer no cinema não tive uma boa impressão. Porém fui surpreendido positivamente quanto conferi o longa e vi que ele não era tão ruim como eu pensava. Isso só reforça a minha teroria de que assistir trailers e saber muita informação sobre o filme antes de assisti-lo não é muito bom para a experiência cinematográfica e não é justo com o filme. O ideal é que sua mente esteja vazia com relação ao longa que você irá assistir; assim ele causará a impressão pura e simples que deve causar livre de pré-julgamentos e expectativas.

Hal Jordan (Ryan Reynolds) é um piloto da força aérea americana que sofre de irresponsabilidade crônica e um patológico instinto autodestrutivo, teoricamente causado pela perda prematura de seu pai em um terrível acidente aéreo presenciado por ele quando criança. Inesperadamente ele recebe um anel de um alienígena prestes a morrer que caiu na terra que irá conferir poderes a ele para se tornar um Lantera Verde e fazer parte de uma tropa de Lanternas verdes composta de 3600 membros de setores diferentes do universo. O anel se alimenta da força da vontade das pessoas e o requisito para ser digno de ser escolhido por ele é não possuir medo. Hal tem que se acostumar a ser um Lanterna verde, domar sua personalidade e teinar para enfrentar um inimigo monstruoso que se alimenta da energia do medo e que ameaça destruir todo o universo, além dos seus problemas na terra com sua namorada, seu trabalho e Hector Hammond (Peter Sarsgaard) que parece ter sido afetado pelos vestígios do monstro.

A história parece complexa, mas é realivamente simples. Isso é o ponto fraco e forte do filme ao mesmo tempo. O filme se concentra na ação e na aventura, assumindo a cara de um filme bem hollywoodiano como Martin Campbell já está acostumado a dirigir. Isso é bom, mas o filme não passa de puro entretenimento, porque não chegamos a nos importar de fato com Hal (só simpatizamos um pouco com ele por ele ter a cara do Ryan Reynolds que é um ator carismático) ou os outros personagens, e nem mesmo odiar o vilão ou ter pena dele. O monstro que já foi um dos membros do conselhor não chega a de fato ser um vilão típico do universo de super heróis por ser muito poderoso, distante e impalpável. Por isso o Dr. Hammond é inserido na história. Ele não passa de uma ferramente do roteiro para atrapalhar ainda mais a vida do herói e ser uma cara para o público odiar. Sua relação com o seu detestável pai é mal desenvolvida. A idéia era boa, mas batida. “Filho não se dá bem com o pai e tem seu caráter afetado por isso”. Se fosse uma idéia bem tratada pelo roteiro, passaria batida, mas não é. O arco dramático de Hammond é abandonado pelo roteiro e finalizado quando se apresenta necessário.

Algo que funciona bem é a relação de Hal com Carol Farris (Blake Lively, linda, mas desconhecida pra mim). A dinâmica entre os dois funciona bem e o casal tem carisma junto, mas Carol também não é nada além do interesse amoroso do herói; a relação deles não têm nenhuma complexidade maior explorada pela história.

Um grande problema do roteiro é não fazer o que todos os filmes de superheroes fazem. Se um humano adquire poderes de uma hora para outra, ele no mínimo tem que se questionar se quer mesmo tais poderes, de que forma eles irão influenciar sua vida, as implicações e responsabilidades que ser poderoso traz e os questionamentos morais de usá-los: para si, ou para ajudar os outros. Hal, que a princípio era um irresponsável e inconseqüente, parece do dia para a noite se tornar uma espécie de Superman e ter como único objetivo salvar a sua amada humanidade. Eu me pergunto: de onde esse senso de justiça veio? Ele já tinha ou o anel deu isso a ele? Ou ele passou por um processo de amadurecimento não mostrado pelo filme? Essa resposta eu não tive.

Mesmo com esses problemas de roteiro, o filme transcorre bem, prende a atenção e cumpre seu papel. As sequências de ação são eficientes, mas são burocráticas sem mostrar nada de novo. Os efeitos visuais impressionam, porém, o que se esperar de uma produção desse porte? A direção de arte é bastante criativa com o visual do planeta Oa, a criatura maligna e principlamente o confronto final. A trilha sonora me lembrou a de Superman em alguns acordes, o que é interessante, visto que aquele personagem também é da DC e trás memórias boas para os cinéfilos.

Lanterna Verde é mais um bom filme de super herói, mas é um tanto esquecível.

Nota: 7,0

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

The Walking Dead – 1ª temporada

Criador: Frank Darabont

Baseado no grafic novel de Robert Kirkman

Num mundo pós-apocalíptico, o policial Rick (Andrew Lincoln) acorda no hospital depois de ser baleado e descobre que a cidade em que vivia agora é habitada por zumbis e todos os humanos não infectados estão desaparecidos ou escondidos. Nesse cenário ele tem que tentar manter-se vivo para encontrar sua esposa e filhos. No caminho ele conhece Glenn (Steven Yeun) que o ajuda a fugir dos zumbis e se propões a levá-lo a um grupo de sobreviventes que se encaminha para Atlanta, a última cidade não dominada pelos zumbis.

Com uma carreira bem sucedida no Cinema que inclui títulos como Um sonho de liberdade, À espera de um milagre, Cine Majestic e O Nevoeiro, Frank Darabont agora produz para TV essa série muito acima da média que trata do excessivamente explorado assunto zumbis de forma criativa, séria e interessante, baseado na série de grafic novels de Robert Kirkman.

Acostumado a adaptar as obras de Stephen King para o Cinema, Darabont sabe criar um clima sombrio e sem esperança, que é exatamente no qual os personagens da série se encontram. Afinal, qual o sentido de se viver num mundo que não possui mais nenhuma organização política ou social, existem zumbis querendo devorar os humanos por todos os lados, a comida é escassa, e a maioria das pessoas que você ama ou se tornaram zumbis, ou comida de zumbis? Diante desse quadro, o suicídio parece a melhor opção, mas Darabont explora a força e o instinto de sobrevivência dos seres humanos na sua essência. E claro, o policial Rick tem seus motivos para continuar lutando: acredita que seu filho e esposa estão vivos em outro lugar. E, além disso, bondade ainda pode ser encontrada em pessoas mesmo num mundo devastado por uma “epidemia” tão pavorosa.

Qualquer falta de cuidado com o roteiro poderia fazer com que a série se tronasse ridícula e sem propósito, mas Darabont desenvolve o conceito de um mundo dominado por zumbis de forma genial, explorando todas as possibilidades dramáticas que a situação pode oferecer. Ele já havia feito isso com talento em O Nevoeiro. A maior ameaça existente no fim das contas são os próprios humanos, aqueles que não se transformaram em zumbis. Do que as pessoas são capazes para se manter vivas? Se na sociedade normal, os desvios de caráter são pouco percebidos pelos demais por falta de oportunidade às vezes, numa sociedade pós-apocalíptica sem regras, as piores facetas da personalidade de cada um é mostrada. Os escrúpulos desaparecem e junto com eles as máscaras caem, revelando os lados mais sombrios das pessoas. É nisso que Darabont se concentra, acertando em cheio, fazendo com que a série seja um ótimo estudo de personagem e da raça humana por conseqüência.

A direção de arte e os efeitos visuais são eficientes e impressionantes para uma produção para TV. O elenco, apesar de ser totalmente desconhecido para mim, está afinado e se mostra a escolha perfeita.

Mal posso esperar para começar a ver a segunda temporada.

Nota: 9

Super 8 (Idem)

Super 8 (Idem) – EUA – 2011

Direção: J. J. Abrams

Roteiro: J. J. Abrams

Steven Spielberg é umas das personalidades mais importantes da história do Cinema e continua a ser também na atualidade. J. J. Abrams é um desses jovens cineastas que cresceu vendo os filmes de Spielberg na década de 70 e 80 e vem sendo influenciado por suas criações desde então. Neste bom Super 8, Abrams faz uma homenagem àqueles títulos que foram reprisados dezenas de vezes na TV e fazem parte da vida de muita gente. Exemplos: E. T. – o extraterrestre, Contatos imediatos de terceiro grau, Os Goonies (produzido por Spielberg) e Tubarão.

Um grupo de adolescentes liderado pelo aspirante a diretor de Cinema Charles (Riley Griffiths) roda uma cena de seu curta em uma estação de trem abandonada à noite. Eles presenciam um terrível acidente com o trem enquanto gravavam o filme. Chocados com o que aconteceu, eles ficam divididos entre tentar descobrir a causa do acidente ou tentar ficar longe do fato para salvar suas vidas, mas a segunda opção se torna quase impossível, porque acontecimentos estranhos começam a ocorrer na pequena cidade onde moram. Então eles recorrem à fita gravada durante o acidente pela câmera super 8 de Charles para ter alguma pista do ocorrido.

A dinâmica do grupo de adolescente remete muito a Os Goonies. Eles têm toda a energia que a idade traz, os hormônios à flor da pele, a curiosidade com tudo à volta, problemas de relacionamento com os pais, não conseguem dar um rumo certo às suas conversas, as brincadeiras inocentes e ofensivas entre o grupo e a desvantagem de serem muito jovens e a maioria das pessoas não darem crédito ao que dizem, o que se apresenta um problema, porque em certo ponto do filme, eles são os únicos a saber o que exatamente está atacando os moradores da cidade.

Abrams aprendeu perfeitamente a lição passada por Spielberg em Tubarão. Ele passa todo o primeiro e segundo ato do filme sem mostrar a criatura, deixando apenas o espectador ver a cara de pavor quando um personagem a vê ou mostrando todos os cachorros da cidade fugindo para a redondeza. A tensão criada é grande. A seqüência inicial do acidente do trem também é impressionante tanto visualmente quanto pelos efeitos sonoros.

O filme assume um tom de nostalgia para aqueles que conhecem as obras às quais ele faz homenagem, principalmente porque a história se passa em 1979 e todo o design de produção e até a trilha sonora retratam a época com perfeição. E nesse ponto o estilo de homenagem que Abrams imprime no longa se faz muito presente, com zooms na direção do rosto dos atores, trilha sonora característica de produções da época e os já famosos efeitos de luz do diretor na fotografia comuns em todos os seus filmes.

Ao mesmo tempo Abrams presta uma pequena homenagem ao Cinema mostrando as dificuldades do grupo de meninos em rodar seu filme e as soluções criativas que eles inventam para os problemas de produção. Afinal, filmar um curta sobre zumbis não era tarefa fácil para um grupo de adolescente criativos, porém sem dinheiro.

O desfecho é bem ao estilo E. T. e não vai decepcionar a maioria. É emocionante e um tanto fantasioso. O roteiro deixa algumas pontas soltas, mas nada que prejudique os espectadores de se envolver com a história e os personagens carismáticos. J. J. Abrams em seus dois outros filmes já havia mostrado que era um diretor competente. Tanto em Missão Impossível III quanto em Star Trek ele reinventou algo já existente. Em Super 8 ele provou que pode filmar um material seu e produzir algo de qualidade. Imagino o quanto ele se realizou produzindo um filme ao lado de seu ídolo. Agora ele é mais do que o homem pro trás de Lost.

Nota: 7,5

P.S.: O curta The case filmado pelo grupo no filme é exibido durante os créditos finais. Imperdível.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Hanna (Idem)

Hanna (Idem) – EUA/Inglaterra/Alemanha – 2011

Direção: Joe Wright

Roteiro: David Farr

Com uma carreira ligeiramente em declínio, Joe Wright estreou no Cinema com o ótimo Orgulho e Preconceito seguido do maravilhoso Desejo e Reparação. Depois lançou o fraco e forçado O solista e agora decepciona mais uma vez com esse Hanna, saindo do campo do drama e se enveredando na ação e um pouco na ficção científica. E é exatamente esse um dos problemas de Hanna: o filme nunca se decide o que é. Às vezes parece adaptação de uma grafic novel, às vezes pende para o drama, às vezes para a ação e o suspense, e flerta até com a comédia em algumas cenas. Essa falta de coesão faz com que assistir ao filme seja uma experiência curiosa por um lado e decepcionante por outro, porque eu esperava mais do diretor de dois filmes que admiro tanto.

Hanna (Saoirse Ronan) é uma adolescente de quinze anos que foi criada pelo pai Erik (Eric Bana) na floresta para ser uma verdadeira máquina de matar. Sabe lutar, usar várias armas e falar diversos idiomas. O motivo disso não sabemos durante boa parte do longa. Eles vivem em harmonia assim até o dia em que Hanna decide disparar o dispositivo que irá trazer até ela aqueles que nem ela mesma sabia, mas que eram o motivo de toda a sua preparação pelo seu pai. Capturada pelos “agentes” ela entra então num jogo de gato e rato, no qual ela é o alvo e todos da agência querem matá-la, liderados por Marissa (Cate Blanchett). Além disso, Hanna tenta encontrar o seu pai que fugiu para salvar sua própria vida e descobrir quem ela de fato é.

Saoirse Ronan já mostrou que é atriz talentosa, mesmo tão jovem. Mas ela pouco pode fazer com a sua personagem rasa e sem profundidade. A premissa era bastante rica na verdade, mas o roteiro não é nada além de uma promessa não cumprida. A relação com seu pai, que deveria ser o foco da narrativa, é mal desenvolvida e é abandonada durante o filme. Apesar de Bana ser um ator talentoso e Cate Blanchett dispensa comentários, os dois estão no mesmo caso de Ronan. Seus personagens são unidimensionais, sem ter nenhuma faceta diferente daquela que aparentam ter. Erik é o pai dedicado e Marissa a profissional fria e inescrupulosa. O filme é um verdadeiro desperdício de elenco.

Vejo os problemas no roteiro e não na direção de Wright (pelo menos quero acreditar). Quando ele tem a chance de mostrar seu talento, ele surpreende. Mesmo nunca tendo feito filmes de ação, dirigiu as sequências com muita criatividade e energia. Duas se destacam. O momento em que Erik é perseguido pelos oficiais na rua e desce para uma estação de metrô onde a briga acontece. Ele é seguido pela câmera de Wright sem cortes num ótimo plano sequência. A luta é coreografada de forma impecável. Erik luta contra seis homens (eu acho) ao mesmo tempo, e a luta em momento nenhum soa falsa, risco que havia por não haver cortes: os chutes e socos poderiam parecer pouco convincentes. E esse estilo de filmar com planos sem cortes já mostrado em seus outros três filmes não é gratuito aqui, porque criou uma tensão muito maior na cena do que ela teria caso fosse filmada convencionalmente com os cortes e edição. A outra sequência é a genial perseguição de Hanna pelos agentes entre os contêineres no porto. Wright mostrou que sabe dirigir ação e criar suspense. Pena que ele tinha um roteiro pedestre nas mãos.

Dario Marianelli foi o seu colaborador habitual nos outros três longas para a composição da trilha sonora. Nesse a trilha foi composta não por ele, mas por uma banda que opta pelo pop rock e rock nas cenas de ação, algo como feito em Matrix. Pareceu falta de criatividade e originalidade. Talvez uma trilha orquestrada fosse mais adequada, porém, mais uma vez Wright não decidiu o que fazer com o filme e que forma dar, por isso esse resultado irregular.

Se você quer assistir a um filme de ação que possa entreter por duas horas, pode assistir Hanna, mas se procura algo mais do que isso, não perca seu tempo.

Espero que Joe Wright volte a adaptar algum bom romance ou escolha melhor os roteiros para filmar. Um diretor talentoso não pode ser desperdiçado com projetos ruins.

Nota: 6,5

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Dexter – quinta temporada

Spoiler Alert!


Considero Dexter a melhor série atualmente no ar (porque Lost acabou, é calro). As quatro temporadas anteriores foram de qualidade muito alta, com uma narrativa muito criativa, regular e extremamente eficiente. Afinal de contas, contar a história de um serial killer policial, que leva uma vida dupla como o Superman anti-herói e fazer com que as pessoas ainda gostem dele e torçam por ele não é tarefa fácil.

As temporadas pra mim são como um longo filme de 12 horas de duração (têm 12 episódios de 50 minutos cada aproximadamente). A estrutura não é cansativa como a de séries como House e CSI, em que cada episódio tem a sua própria história que segue uma fórmula que tende a se repetir em todos os outros. A linha narrativa de Dexter segue contínua ao longo da temporada, e também ao longo da série em si, não perdendo o foco do desenvolvimento dos personagens e nem contando histórias desnecessárias.

Toda essa qualidade está presente nesta quinta temporada, mas em menor escala. Digamos que se a primeira tivesse o mesmo nível dessa quinta acho que não gostaria tanto da série. Os dois casos de serial killer, o das garotas nos barris e o caso santa muerte, deixaram a temporada um pouco fora de foco; sem contar que a resolução do caso santa muerte não foi muito satisfatória. Parece que ele foi apenas uma ferramenta do roteiro para a história poder chegar onde os produtores queriam.

A motivação do assassino principal, que sempre teve sua lógica tão bem desenvolvida e explicada (o porquê do sujeito ser um serial killer como o próprio Dexter) aqui fica um pouco no ar e não me convenceu muito. Acho que pode ter sido um pouco pela atuação limitada de Jonny Lee Miller como Jordan Chase (pareceu-me de longe uma tentativa de imitar a performance de Tom Cruise em Magnólia) ou mesmo falha do roteiro. A subtrama envolvendo Quinn e sua suspeita de Dexter ter alguma relação com o Trinity Killer foi muito interessante; mas o tratamento da relação de LaGuerta e Batista me soou um pouco forçado. Já o relacionamento de amizade que Dexter desenvolveu com a vítima sobrevivente Lummen foi vital para o sucesso da história, porque mostrou uma faceta de Dexter que eu nunca tinha antes visto: ele sendo ele mesmo com uma pessoa; diferente até do que na terceira temporada, quando ele encontra um “parceiro” de crime. Gosto muito dos personagens, do tema e de como ele é tratado, além de a série criar um suspense de primeira.

Quero acompanhar ainda a vida do meu serial killer favorito por algum tempo, mas espero que a série se recupere e volte à qualidade do início.

Para os que não sabem, a sexta temporada começa mês que vem.

Pequena Grande Obra de Arte

Não assisto a muitos curtas metragem, apesar de gostar, porque acho que é difícil prender a atenção de um expectador em pouco tempo, desenvolver uma história e os personagens, dar importância ao roteiro tão curto e emocionar. Mas tive grande surpresa depois de assistir ao famoso curta metragem O velho e o mar (1999) dirigido por Aleksandr Petrov baseado no livro de Ernest Hemingway. O filme tem vinte minutos de duração e consiste em 29 mil pinturas feitas à mão de aquarela sobre vidro. Trabalho artesanal. O resultado é impressionante. A animação tem um visual diferente de qualquer coisa que eu já tenha visto, e o cuidado com a história é nítido. E não é porque o filme tem vinte minutos que ele deixa de ser interessante e prender a atenção do expectador. É possível até analisar as motivações do velho quando ele vai ao mar pescar, e também durante sua aventura. E sua relação com o menino nunca deixa de ser tocante. Vale à pena conferir. O link do filme no youtube segue abaixo.

domingo, 7 de agosto de 2011

Top 5 de trilhas instrumentais

Tenho um acervo enorme de trilhas sonoras instrumentais no meu computador. E quem acompanha meu blog sabe da importância que eu dou para a trilha num filme, que além de emocionar e ajudar a contar a história, traz o clima do tempo, espaço e personagens. Uma bela trilha é sempre inesquecível. Escolher cinco entre todas as trilhas de todos os filmes em mais de cem anos de história do Cinema é tarefa que beira o ridículo. Vou tentar colocar aqui aquelas das quais eu não me canso de escutar e que marcaram minha vida. A cena pode ser assistida clicando na foto.

1. Jurassic Park (Idem – 1992)
Composta por: JOHN WILLIAMS
Direção: Steven Spielberg
O filme, apesar de não ser um clássico é uma aventura de primeiríssima dirigida por um diretor que admiro muito. Spielberg mostrou o que o CGI quebrava todas as limitações que o Cinema pudesse ter com relação a efeitos visuais e criou um filme que deixa qualquer um na beira do assento. John Williams, que considero um gênio, tem na bagagem 45 indicações ao Oscar e 5 em sua estante. Admiro muitas de suas trilhas, mas essa em especial ocupa o primeiro lugar da minha lista porque amo a melodia, a orquestração, o clima de aventura e até mesmo reflexivo que traz; além de me lembrar do filme como um todo instantaneamente. Ela gruda na mente e de cara se torna inesquecível. Quem já viu o filme sabe do que eu estou falando.


2. O Poderoso Chefão (The Godfather – 1972)
Composta por: NINO ROTA
Direção: Francis Ford Coppola
Nada traduz melhor em música a saga da família Corleone do que a melodia composta por Rota executada por violino e acompanhada por orquestra e violão. A trilha se tornou icônica para qualquer assunto relacionado à máfia. Traz o clima da Cicília e a nostalgia da família italiana morando na América. É extremamente emocionante quando vemos um personagem cantar na terceira parte da trilogia a melodia com uma letra expressiva.

3. Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice – 2005)
Composta: DARIO MARIANELLI
Direção: Joe Wright
Atrevo-me a dizer que se Jane Austen tivesse um CD player no século XVIII, ela colocaria a trilha de Marianelli para tocar enquanto escrevia sua obra prima. A Inglaterra Vitoriana e a vida de Elizabeth e Mr. Darcy não poderiam ser expressas melhor do que ele fez nessa obra prima dos Scores. O piano acompanhado de orquestra com o tema marcante soam perfeitos para o mundo criado por Austen. Destaque para o momento em que Elisabeth desorientada, e sem saber qual decisão tomar, vai para a beira de um penhasco ao amanhecer para pensar. A trilha começa suave e segue num crescendo até atingir um clímax, quando percebemos que Lizzy Bennet tomou sua decisão e entendeu os fatos à sua volta. Momento inesquecível pra mim.

4. E o vento levou (Gone with the Wind – 1939)
Composta por: MAX STEINER
Direção: Victor Fleming
Geralmente grandes cenas estão são acompanhadas de grandes trilhas sonoras. Nesse caso, como já citei na sessão Como esquecer, é impossível desassociar a história de Scarlet O’Hara da trilha épica de Steiner. A Guerra civil americana sob os olhos da garota mimada do Sul assume contornos grandiosos no filme de Fleming, o maior clássico de Hollywood. A melodia marcante evoca a proporção dos acontecimentos nos quais Scarlet estava inserida e a força de sua personagem.

5. E. T. – o extraterrestre (E. T. – 1972)
Composta por: JOHN WILLIAMS
Direção: Steven Spielberg
Spielberg e William formam a parceira mais longa e bem sucedida do Cinema. E eu agradeço por ela existir. :P A história do garotinho comum que faz amizade com um ser de outro planeta deixado para traz emociona a todos, sem exceção. A cena de Elliot e E.T. voando em frente ao luar ao som da trilha de Williams é de tirar o fôlego, emocionar e colocar um sorriso no rosto do coração mais durão. A magia e encanto da história estão ali. Williams nesse ano levou um de seus Oscars (mais do que merecido) para casa.

Comentem e citem alguma trilha que vocês gostem.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Capitão América: o primeiro vingador (Capitain America: the first avenger)

Capitão América: o primeiro vingador (Capitain America: the first avenger) – EUA – 2011

Direção: Joe Johnston

Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely, baseado nos quadrinhos da Marvel

Steve Rogers (Chris Evans) tem um único sonho em sua vida: entrar no exército americano para lutar contra Hitler e os Nazistas. O problema é que ele é baixinho, franzino, tem asma e várias outras doenças crônicas. Apesar de sua determinação e fibra moral, seu físico o impede de lutar pelo seu país e defender a sua causa. Até o dia em que o Dr. Erskine (Stanley Tucci) o conhece e o propõe participar de um programa do governo para a criação da super soldados. Ele viu em Rogers qualidades além do físico. Lá ele conhece a oficial Carter (Hayley Atwell) com quem desenvolve uma amizade e o General Phillips (Tommy Lee Jones). Paralelo a isso, Johan Schmidt (Hugo Weaving) desenvolve na Alemanha seu plano de derrotar Hitler, assumir o controle do país e construir um império mundial. O fator complicador é que ele também é fruto de uma experiência do Dr. Erkine no passado quando eram amigos, que o deixou mais forte, porém deformado, sendo apelidado de Caveira Vermelha.

Como Thor, Capitão América pra mim, apesar de ser um filme bastante eficiente, soa mais como uma preparação para a mega produção da Marvel, Os Vingadores. Os dois filmes têm a missão de apresentar os personagens Thor e Capitão América e contar suas origens. Mas isso não signifique que esse longa não funcione enquanto Cinema. Muito pelo contrário. A história é contada de forma muito tradicional por Johnston, chegando às vezes a quase cair no clichê. Porém a narrativa não deixa de emocionar porque a jornada de Rogers desperta simpatia em todos, e qualquer um torce para que ele seja bem sucedido.

Grande parte dessa simpatia se deve à sensível performance de Evans na primeira meia hora do filme. Encarnando o magrelo Rogers com extrema sensibilidade, sem exageros de interpretação, Evans não deixa que sintamos pena do protagonista pelo fato de ele ser raquítico e apanhar dos valentões. Gostamos de Rogers porque ele é simpático, amável com os amigos e tem bom caráter. E fico feliz em saber que o ator insistiu para que fosse ele próprio a interpretar Rogers antes da transformação com ajuda de efeitos visuais e não outro ator. Ele inclusive emagreceu para filmas a primeira parte. Isso mostra que o ator está evoluindo em sua profissão e que teve cuidado na composição do personagem, não se contentando apenas em usar de sua aparência física para encarnar o herói. E ele se sai igualmente bem nas cenas de ação e também de comédia. São impagáveis os momentos em que Steve se torna uma espécie de estrela da Broadway.

A revista em quadrinhos foi criada com o propósito de aumentar o patriotismo do povo americano. Esse patriotismo está presente no filme, visto que ele faz parte da história, mas só isso. Johnston acertou ao evitar passar mensagens que pregam a soberania americana sobre a Alemanha ou outros países. Steve é patriota, e isso é amplificado pelo experimento ao qual foi submetido. Johnston sabia que isso era fundamental para o sucesso do projeto. Qualquer patriotismo exacerbado, como por exemplo, mostrar uma bandeira americana tremulando no vento em câmera lenta atrás do herói soaria falso e forçado.

Se em Thor, o relacionamento do herói com a cientista vivida por Natalie Portman era mal desenvolvido, isso não acontece aqui. Acompanhamos Steve e a oficial Carter desenvolver uma amizade que se torna um sentimento maior. Assim, torcemos para que os dois fiquem juntos no fim. E todos entendem do interesse de Steve pela oficial Carter; ela é linda, inteligente, competente e encantadora. Os momentos que mostram a falta de tato de Steve com as mulheres são ótimos. Mesmo agora sendo bonito e atraente, ele continua com a personalidade do garoto franzino que apanhava dos outros.

Stanley Tucci vive o Dr. Erskine com extrema sensibilidade; e Tommy Lee Jones compõe o General Phillips como muito vigor e humor, acima de tudo. Sua sinceridade e o jeito que articula suas idéias de forma simples rendem piadas ótimas, o que cria uma empatia do público com seu personagem, que mesmo sendo durão e incisivo em sua opinião sobre Steve, sabe reconhecer o valor do herói quando ele se mostra. E, desde o Coringa de O Cavaleiro das Trevas, acho que o Caveira Vermelha é o melhor vilão dos filmes de super heróis. É claro que ele não possui a complexidade psicológica e emocional do personagem criado por Heath Ledger, mas é extremamente assustador e bem composto por Weaving. A maquiagem é impressionante. O ator não perde nada de suas expressões faciais.

As seqüências de ação são dirigidas de forma burocrática por Johnston. São bem realizadas e eficientes. Os efeitos visuais são eficazes, e um fato que me deixou feliz é que Johnston sabe usar a câmera lenta nos momentos certos, sem exceder, como alguns diretores.

Os aspectos técnicos do longa são impecáveis, como de costume nas produções da Marvel. Só o 3D que soou um pouco desnecessário, já que o filme foi convertido. É apenas um plus no projeto, nada que chame a atenção ou inove no uso da linguagem.

Capitão América: o primeiro vingador faz um bom trabalho apresentando mais um herói para a grande empreitada da Marvel. Vale à pena esperar depois dos créditos finais para ver o primeiro trailer de Os Vingadores.

Nota: 7,5

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Emma (Minissérie da BBC – 2009)


Direção: Jim O’Hanlon

Roteiro: Sandy Welch, baseado no livro de Jane Austen

A BBC sempre realiza ótimas séries e minisséries, e não foi diferente com Emma, do ano de 2009. É uma adaptação da obra literária de uma de minhas escritoras favoritas, Jane Austen. Seu livro Orgulho e Preconceito é um dos que mais gosto, e Razão e Sensibilidade é excelente. Nunca li Emma, mas já havia visto um filme de 1996 estrelado por Gwyneth Paltrow e tinha gostado bastante, apresar de perceber que o tom desse é bem diferente de Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade, tendendo mais para a comédia.

Emma (Romola Garai) era uma menina rica, jovem, bonita e mimada pelo pai viúvo e que nunca passou por nenhuma adversidade na vida. Ela vive na Inglaterra Vitoriana. Sua única preocupação é se emprenhar em arranjar casamentos entre os seus conhecidos, e manipular os sentimentos dos outros para formar os pares que deseja. O que ela não sabe é que seus planos podem não sair como espera, e seu julgamento a respeito dos sentimentos e interesses dos outros pode não estar sempre certo. E pior ainda: ela acaba descobrindo que não conhece nem os seus próprios sentimentos tão bem como pensava.

A minissérie não tem a qualidade da narrativa de Orgulho e Preconceito, também da BBC, mas acerta em muitos pontos. O roteiro é sólido, apresar de se perder em alguns momentos e fazer com que o espectador sinta dificuldade de acompanhar todos aqueles encontros e desencontros dos personagens. E história flui com naturalidade e conseguimos gostar e torcer pelos personagens que merecem. E quando um personagem tem que ser ambíguo e difícil de ser decifrado, o roteiro e a direção conseguem isso, o que é um bom feito.

Li sobre o desempenho de Garai como Emma, e diziam que ela estava caricata e exagerada. A sua performance com certeza não caberia bem como as heroínas de Orgulho e Preconceito ou Razão e Sensibilidade, mas para Emma, cujo tom predominante é a comédia, eu acho que ela serviu perfeitamente. Emma era um moça vivaz, passional e radiante. Não contida e racional.

O elenco no geral se sai muito bem. E destaco a qualidade da produção, no que diz respeito à direção de arte, reconstrução de época e figurinos impecáveis. A trilha sonora é expressiva e bela. Traz com eficiência o clima da época; mas fiquei com o sentimento de que os temas poderiam ser mais bem desenvolvidos e trilha um pouco mais presente na história. Mas da foram que está, cumpre bem seu papel.

Recomendo Emma para aqueles que gostam de Jane Austen e de produções de época. Com certeza é acima da média.

Nota: 8

Meia noite em Paris (Midnight in Paris)

Meia noite em Paris (Midnight in Paris) – EUA/Espanha – 2011

Direção: Woody Allen

Roteiro: Woody Allen

Que Woody Allen é um ótimo roteirista e diretor, todos já sabem. Mesmo que seu trabalho não agrade a todos, não tem com não reconhecer a originalidade e genialidade de tantos títulos em sua longa carreira ou sua linguagem tão específica na forma de mostrar em seus filmes a sua visão pessimista da vida e os seres humanos. Mas, há pouco tempo estava começando a achar que estava chegando a sua hora de se aposentar, visto os últimos longas que lançou (Tudo pode dar certo e Você vai conhecer o homem de seus sonhos), que mesmo sendo interessantes, nem de longe relembravam a genialidade mostrada em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, A rosa púrpura do Cairo, Desconstruindo Harry, Match Point, só pra citar alguns. Depois de assistir ao seu novo longa Meia noite em Paris concluí que Allen ainda tem muito a contribuir com seu trabalho. O filme tem um elenco afiado, roteiro sólido e original e muito humor irônico, característicos do diretor.

O filme conta a história de Gil Pender (Owen Wilson), que está a passeio em Paris com sua noiva Inez (Rachel McAdams) e seus sogros. Lá ele procura inspiração para escrever seu primeiro livro, visto que ele sempre trabalhou em Hollywood escrevendo roteiros, porém essa atividade não o satisfaz mais profissionalmente. Ele tem uma fascinação pela década de vinte em Paris, imaginando que aquela seria a melhor época para se viver. Imagina ainda a cidade nesse período sob a chuva. Saindo à noite à procura de inspiração para seu livro, ele acaba embarcando em um carro à meia noite que o leva para a Paris da década de vinte. Lá ele conhece seus artistas preferidos e passa a conviver com eles: Cole Porter, Zelda e F. Scott Fitzgerald, Pablo Picasso, Salvador Dalí, T. S. Eliot, e uma bela francesa chamada Adriana (Marion Cotillard) entre outros. Lá, esses artistas começam a influenciar sua escrita e ele acaba por se apaixonar por Adriana.

Allen brinca com a fantasia, com fez em A rosa púrpura do Cairo, quando, de um filme dentro de seu filme, extraiu um personagem por quem a protagonista era apaixonada. Nesse, Allen usa a viagem no tempo através de um carro que passa em certa rua de Paris à meia noite. Ele não faz questão nenhum de dar uma explicação para esse fato, e ela nem é necessária. Ela existe para poder dar suporte à história que Allen quer contar, defender a idéia que ele quer e ponto final.

Encarnando o personagem com muito talento e, acho que pela primeira vez sem os maneirismos usuais, Owen Wilson se mostra o perfeito protagonista de filmes de Allen, e encarna, de certa forma e não totalmente, a persona cinematográfica do diretor. Chega, em alguns momentos, até a gaguejar como Allen e exibir um pouco de seu gestual, além é claro, de ser o sujeito eternamente insatisfeito com sua vida e seus relacionamentos, que Allen tanto retrata em seus filmes. Quando não é o próprio diretor quem protagoniza, outro ator o faz como ele.

O elenco está ótimo, afinal, Allen dirige muito bem atores. Marion Cotillard está adorável, sensual e apaixonante como Adriana. Rachel McAdams exibe o carisma de sempre. Michael Sheen está impagável na pele do metido à intelectual e irritante Paul. Kathy Bates manda muito bem, como de costume, dando vida a Gertrude Stein. E, um dos melhores na minha opinião, é o desconhecido (pra mim) Corey Stoll, que oferece um ótima performance como o escritor Hernest Hemingway. Senti extrema vontade de conhecer melhor aquele personagem e conviver com ele. Acho que esse é o testamento do bom trabalho de um ator e do diretor/roteirista.

Partindo para o campo das idéias, demorou um pouco de tempo pra eu perceber que esse filme não fugia muito dos idealismos de Allen, que são como já disse anteriormente, a eterna insatisfação do ser humano com a vida. E é aí que ele faz um profundo estudo sobre a arte e as pessoas, apresentando vários artistas consagrados do passado em seu cotidiano na Paris da década de vinte. Ele desmistifica a aura de endeusamento que eles e as suas obras possuem, sem tirar deles a genialidade artística. Isso foi uma sacada de mestre. Assim, Gil foi entendendo o porquê da arte deles ser tão importante. Era porque eles viviam suas emoções intensamente e transmitiam isso em suas obras. E Gil através de sua paixão crescente por Adriana e também os direcionamentos de Gertrude conseguiu dar alguma importância artística para seu livro. Eu senti extrema vontade de ler o livro que ele estava escrevendo, o que mais uma vez serve como testamento de uma obra de ate eficiente.

A forma como Allen explora a nostalgia que muitos sentem é brilhante. Quando vejo seus filmes, fico pensando: “como ninguém nunca pensou em fazer um filme sobre isso?”. A nostalgia, o sentimento de achar que outra época passada era melhor do que a atual, é sempre traiçoeira e ilusória. A melhor época para se viver é agora, com todas as suas qualidades e mazelas. É o tempo que nos foi dado, e temos a obrigação de vivê-lo da melhor forma possível. E o amor, arte, amizade e diversão estão no agora, não no passado.

A parte técnica do filme excelente. Prova disso é a imediata constatação de mudança de tempo que temos quando Gil sai do bar em que se encontrava na década de vinte e anda alguns passos na rua. Lembra-se de algo que precisava falar com Hemingway e volta. No mesmo momento observamos que a década de vinte não está mais “presente” lá, e sim os dias atuais. Isso prova a eficiência da direção de arte e da fotografia.

Meia noite em Paris é o retorno de Woody Allen à boa forma. O diretor mostrou que ainda tem muito a dar para o mundo das artes, mesmo diante do fato de que ele próprio não se considera um artista.

Nota: 9,5